sexta-feira, 1 de agosto de 2014

VIOLÊNCIA- Dura Realidade


Por ironia é a televisão que dá o sentido de realidade e da proximidade da violência. Cada ato comove e estarrece a população brasileira.

Crítica ao medo inútil diante de uma ameaça que não se realizou? O que explicaria a violência daquele que se denomina “bandido”? No seu nervosismo, ora controlado, ora não, afirma que não tem nada a perder... A todo momento afirma que tem o poder...

O elogio dos jornalistas à tática policial de conversar e cansar se emudece diante do desfecho...

A violência parece pertencer não só a bandidos e drogados, mas a policiais e a populares que querem linchar, e aos que assistem impotentes e se perguntam o que fariam.

A violência se tornou moeda circulante para criar não só heróis ou bandidos, mas moeda circulante para que homens possam imaginar que são considerados homens e não um simples “nada”.

A violência não é mais apenas a tradicional, isto é, o gesto último de “resolução de conflitos”. Tornou-se uma estratégia perversa e, muitas vezes banalizada, de produção de referências em um mundo cada vez mais sem referências.

A sociedade moderna clássica se fez em torno de valores dos direitos individuais, da cidadania e do trabalho. A falta de trabalho não produz, como se enganam alguns, apenas altas taxas de desemprego.

São altas taxas de “errantes”, jovens e velhos “errantes” que vagam à procura do que fazer, de onde se ancorar, de como se identificarem e serem reconhecidos. Uma forma imaginária de “ser alguém”, de “ter poder” e, paradoxalmente de ser respeitado.

De um lado, a sociedade do espetáculo, das aparências, de outro, a desmontagem do valor societário do trabalho como dignidade e cidadania.

A violência não pode mais ser interpretada como contida em algum território próprio exclusivo dos psicopatas e dos loucos ou dos pobres. Lembram-nos as letras das músicas que acompanham os “raps” que a violência está se tornando banal e rotinizada para grande parte da população.

Sem dúvida o conclamar da população no combate à violência é fundamental, mas qual é a ação do governo e diretriz das políticas governamentais?


Texto de autoria de Valéria Borges da Silveira

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