sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nossa Identidade Cultural - texto de Valéria Borges da Silveira



Na era do conhecimento, não há como ignorar ou bancar o ingênuo diante da multifacetada Educação no Brasil.

Vislumbram-se os passos desencontrados da trajetória histórica do processo educacional em nosso país. A aculturação ou exclusão dos povos indígenas, os modelos importados e impostos pelos diferentes grupos e instituições colonizadores de todos os naipes, as elites, a Igreja, o Estado... E, associadas ao processo histórico, as peculiares configurações regionais, dentro das quais e entre as quais ainda têm peso expressivo os estereótipos, os preconceitos, a discriminação.

Fica sempre a questão da nossa identidade cultural, da nossa identidade como povo, dos traços que marcam nossos limites, mas apontam também nossas possibilidades.

No Brasil, desde o descobrimento há uma dependência da cultura de outros países. Um processo de aculturação, que continua até hoje no nosso inconsciente coletivo. A maioria acha que tudo que é bom sempre está fora do Brasil.

Hoje, fala-se em interdisciplinaridade, em educação cidadã. A educação melhorou, mas ainda é preciso mudar mais, pois ainda hoje continua um processo de alienação. Já existe um movimento diferente para fazer reflexão nas salas de aula, usar recursos tecnológicos, como um vídeo que traga a realidade, uma música, uma pesquisa, diversificando para que possa construir o nosso jeito de pensar, sem esquecer o fenômeno social que está acontecendo ao lado.

Os problemas de identidade cultural influenciam diretamente algumas pessoas, que não “aprendem a pensar”. A idéia é que as pessoas aprendam não apenas a ler e escrever para reproduzir, mas que aprendam para que possam refletir e agir sobre situações do dia-a-dia. Situações que estão relacionadas com a comunidade em que vivem, como o lixo que foi jogado no rio, o supermercado que está cobrando muito caro. Devem aprender a ser cidadãos.

A leitura é o grande recurso para tarefas mais árduas. Porque a leitura aguça nossa sensibilidade, percepção de nós mesmos e dos outros, problematiza a linguagem e as facetas do mundo, ilumina as cenas do mundo, para que possamos ao menos entender que as respostas são possíveis e dependem de nosso empenho.

As mais variadas fontes de informação nos levam a um maior conhecimento, esclarecimento e não dão espaço à alienação, “marca registrada” na nossa sociedade.

A História é tarefa nossa, o mundo não está pronto, há muito o que fazer. Podemos mudar nossa natureza, deixarmos de ser condicionados, mudarmos nosso meio existencial, nosso canal, nossa forma de ser.

Desse choque com novas realidades, novas descobertas, aprendemos nova modulação para nosso ser e nosso estar no mundo.

Entre o grande mundo e nós há paredes que nos impedem de ir além do que alguns querem. Compete-nos superar essas paredes, modular a vida segundo nosso desejo de crescer.

Valéria Borges da Silveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário